Entre os povos que a criaram, a tatuagem era, e ainda é, parte da cultura dos ritos de passagem e das diferenças entre tribos e classes sociais. O problema começou quando os europeus tomaram para si o hábito de tatuar a pele. Os marinheiros das expedições capitaneadas pelos desbravadores da Oceania, como John Cook, foram os primeiros a levar ao Velho Mundo as próprias cútis com os elaborados desenhos.
A tatuagem foi banida e proibida na Europa no primeiro século depois de Cristo pelas autoridades religiosas, por ser considerada um vilipêndio à santidade do corpo, que era considerado o “templo do Espírito Santo”. Junte-se a isso a má fama que os marinheiros tinham (essa classe de profissionais era formada primordialmente por ex-detentos e condenados pela Justiça à prisão ou à forca) e teremos a gênese do preconceito contra tatuagens.
A tatuagem e o preconceito hoje
A tatuagem passou quase todo o século XX sofrendo com o preconceito ancestral herdado desde a Idade Média, mas graças ao culto à personalidade criado pela mídia para poder falar sobre cantores, atores e diversas personalidades notórias, a tatuagem começou a ser vista também como uma forma de expressão artística. A partir da “invenção da juventude” como mercado consumidor, em meados da década de 1950, e dos ditames estéticos propagados pelos ídolos desta juventude, principalmente cantores de rock, a tatuagem começou a sair do gueto e invadir os “grandes salões da sociedade”.
Se hoje os estúdios de tatuagem multiplicam-se graças a uma horda crescente e insaciável de jovens e adultos que aderem à tatuagem como forma de expressão e homenagem, há também um grande preconceito profissional contra a tatuagem, principalmente nas profissões mais tradicionais, como médicos, engenheiros e advogados. A visão do público ainda é altamente preconceituosa, e isso dita a contratação ou não de um profissional tatuado.
A tatuagem não é mais demonizada pela população como antigamente, e isso se deve à adesão de pessoas famosas que são adoradas pelo público e que aparecem ostensivamente na mídia mostrando sem pudor as tatuagens que cobrem partes visíveis do corpo. O principal foco de preconceito contra tatuagens ainda é o mercado de trabalho, mas setores mais conservadores da Igreja católica, seitas neoevangélicas e até mesmo cidades interioranas com prefeitos conservadores mantêm a tatuagem em um gueto de desprezo, ojeriza e até mesmo ódio.
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